segunda-feira, 21 de março de 2011

Assis Valente: 100 anos de um bamba

No último 19 de março, um bamba da nossa música popular estaria completando 100 anos.

Na sua vida aconteceu de tudo: até os dez anos foi roubado dos pais por uma
família para trabalhar duro, depois foi ser lavador de frascos de uma farmácia,
e por fim acabou fugindo com integrantes de um circo itinerante para ser orador
e comediante. Seu local de nascimento, assim como a sua verdadeira idade, ainda são um mistério. Misteriosos também são os motivos que o levaram a tentar suicidar-se três vezes, depois de chegar ao Rio de Janeiro em 1927. Dívidas? Frustrações? O fato é que a idéia da morte foi tanta que numa manhã de 1958 seu corpo foi encontrado por algumas crianças na Praia do Russel. Tinha ingerido guaraná com formicida.



Ainda na Bahia, sem tempo para estudar, aprendeu desenho e escultura, mas era como protético, no Rio, que tirava o sustento. E, segundo alguns médicos famosos da época, era um excelente profissional e muito requisitado para confeccionar dentaduras.

Foi na música popular, no entanto, que o nosso centenário personagem fez
história e sucesso em todos os gêneros: natalino “Boas festas”, junino “Cai,
cai balão”, de costumes “Good bye”, “Boy”, “Recenseamento”, “E o mundo não se acabou”, temas carnavalescos como “Camisa listrada” e românticos como “Fez bobagem”.

Admirado pelos colegas Noel Rosa e Lamartine Babo e cantado por grandes nomes da época como Carmen Miranda, Francisco Alves, Carlos Galhardo e Anjos do Inferno, seu final de existência foi cheio de mágoas, medos, dívidas e reclamações de que seus intérpretes o tinham abandonado.


Porém, o que realmente ficou foi tudo aquilo que produziu. Atemporal, tornou-se o grande cronista musical da grande cidade que adotou. Sem conhecimentos musicais compunha espontânea e intuitivamente, muitas vezes batucando em algum balcão do seu consultório de próteses, sem a ajuda de qualquer instrumento musical.

Seu samba era um samba rasgado, com síncope própria, diferente até então,
brejeiro e autêntico. Quem escutasse pela primeira vez algum samba seu já sabia quem era o autor: Assis Valente, gênio de raça da nossa música popular.

Antes de morrer, deixou um samba intitulado “Lamento”, que postumamente foi
gravado pelo cantor Jairo Aguiar. Sua letra soa até hoje como um terrível
prenúncio:.



“Felicidade afogada morreu
A esperança foi ao fundo e voltou
Foi ao fundo e voltou
Foi ao fundo e ficou...”

Roberto Campos

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dia do Choro

É no dia 23 de abril se comemora o Dia Nacional do Choro, trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha. A data foi criada oficialmente em 4 de setembro de 2000, quando foi sancionada lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus alunos da Escola de Choro Raphael Rabello.

No Estado de São Paulo, existe o Dia Estadual do Choro, comemorado no dia 28 de julho. Foi neste dia, no ano de 1915, que nasceu um dos principais expoentes paulistas do choro, o "Garoto", nome artístico de Aníbal Augusto Sardinha.

O Choro entra no terceiro século da sua existência, com uma bagagem de mais de 130 anos, completamente firmado como um dos principais gêneros musicais do Brasil. São milhares de discos gravados e centenas de chorões que marcaram presença. O choro além de ser um gênero musical rico e complexo, é também um fenômeno artístico, histórico e social.


Interessante...
A palavra “Choro” pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Daí o termo Choro. O próprio conjunto de choro passou a ser denominado como tal, por exemplo, "Choro do Calado".

Mas pode também derivar de "xolo", um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como "xoro" e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com "ch".
Outros defendem que a origem do termo é devido à sensação de melancolia transmitida pelas "baixarias" do violão.